Laptop diminui faltas de alunos e motiva professores no Sul

Iniciado há cinco meses, o Programa Um Computador por Aluno (UCA) conseguiu aumentar a freqüência dos estudantes às aulas e animar os educadores da Escola Estadual Luciana de Abreu, em Porto Alegre. “O computador envolve o aluno com o aprendizado, algo que o sistema tradicional não conseguia mais”, diz a vice-diretora Ruth Elaine Umgelter.

Muitos dos alunos da escola de Porto Alegre não conheciam o mundo digital ou só haviam tido contato com computadores na casa de amigos ou em lan-houses. Segundo Ruth, os professores da escola estão mais estimulados por ver as crianças cada vez mais interessadas em participar das atividades escolares do que em ceder às tentações da rua, comos drogas e a marginalização.

Na nova metodologia educacional, o aluno propõe o tema a ser estudado e expõe numa página pessoal, acessível aos professores e colegas, o que sabe, o que quer saber e o que descobre em suas pesquisas. “O estudante estabelece o tema e nós corremos para adequar o conteúdo”, conta Ruth, referindo-se ao trabalho dos professores, que costumavam expor as lições e agora são obrigados a adaptá-las ao assunto estabelecido pelo aluno.

O programa entregou a cada um dos 375 alunos da Luciana de Abreu um laptop do tamanho de um livro, peso de 1,5 quilo e memória de 512 MB. O equipamento pode ser levado para casa, mas é na sala de aula, onde há acesso sem fio à internet, que é mais usado e provocou uma revolução.

A professora Ivone Teresinha Luciano de Antoni brinca que se sentiu “deletada” quanto teve de mudar o método de ensino. Passado o susto, ela descobriu-se incluída numa rede de solidariedade, na qual, às vezes, assume o papel de buscar uma informação que não existe na hora, para trazê-la na aula seguinte e não deixar o aluno sem resposta. “Percebo que todos são autônomos para procurar soluções, mas também fraternos para compartilhar resultados.”

Ao analisar as mudanças, o coordenador de tecnologia do piloto de Porto Alegre do UCA, Juliano Bittencourt, diz que a perspectiva mudou. “Os professores dizem que antes o foco era mostrar o que o aluno não sabe, agora é partir do que ele sabe para conhecer mais”, afirma.

SAIBA MAIS:
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Fonte: Estadão

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