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Microsoft quer oferecer mais do que laptop de US$ 200
Os executivos Craig Mundie e Ray Ozzie, da Microsoft, irão assumir mais do que o papel tecnológico de Bill Gates após o presidente se aposentar em julho deste ano.
Uma das mudanças é que Mundie, Chief Research e Strategy Officer, está liderando o Unlimited Potential Group, que inclui os trabalhos da empresa para países em desenvolvimento, além da atuação filantrópica da Microsoft. O trabalho manterá Mundie próximo de Gates, que dedicará mais tempo à Bill & Melinda Foundation.
Veja na entrevista a seguir o que Mundie fala sobre possíveis mudanças no grupo Unlimited Potential e o que a Microsoft está fazendo para criar novas tecnologias com enfoque nos países em desenvolvimento.
IDG News Service: Uma vez que o programa está sob sua responsabilidade, que mudanças ocorrerão? Haverá mais investimento?
Mundie: Não. A recente decisão de me incluir no grupo é para que eu o monitore com atenção. De certa forma, há alguns anos ajudei a criar o Unlimited Potential.
Outro motivo para minha participação envolve dois novos negócios inclusos no meu grupo, que são saúde e educação. Quando observamos as necessidades do programa, uma de suas funções é ser produtivo - mas invariavelmente, duas outras ‘pernas’ deste banco são saúde e educação.
Seu recente trabalho na divisão não-relacionada a PCs da Microsoft ajuda em suas funções no Unlimited Potential Group?
Não necessariamente - exceto pelos celulares. O trabalho que fiz com o Windows Mobile e com dispositivos móveis nos dá uma base para adaptar tecnologias móveis para o público do Unlimited Potential. Além disso, a TV interativa pode ser outra função que eu venha a desempenhar no grupo.
Quais são as estratégias para o grupo Unlimited Potential? Quais tecnologias terão enfoque?
Quando você pensa em uma pessoa com pouca ou nenhuma renda e como se aproximar deste mercado, está claro que não pode pensar que este público vai a uma loja e compra computadores ou que vamos dar uma máquina para cada pessoa.
Muito de nosso enfoque, então, tem sido levar tecnologias derivadas da escala global de uso de PCs e ajudar a criar tanto dispositivos mais baratos quanto softwares criados segundo as necessidades desses clientes.
Outro grande fator é o celular em si. Estamos em um ponto onde os aparelhos vão de burros a inteligentes. Para nós, o foco principal é como levar tecnologia e acesso à internet a populações rurais carentes.
Isto se une a serviços online e softwares mais sofisticados. Meu sonho é conseguir que as pessoas façam seus próprios remédios e também eduquem a si próprias. Não vejo um caminho para um mundo de 4,5 bilhões de pessoas seguir sob conceitos tradicionais de saúde e educação.
Nossas áreas de pesquisa e desenvolvimento serão celulares, computadores de baixo custo, serviços na internet e softwares que encarem este desafio.
No que você está trabalhando para crianças?
Um de nossos trabalhos no grupo é baixar o custo de equipamentos ‘de entrada’ para que as crianças tenham acesso à tecnologia nas salas de aula.
A iniciativa que mais gosto é o MultiPoint. Basicamente, você dá um PC e um pequeno projetor para uma classe - todos podem olhar na parede e você dá um mouse para cada criança. Todos os mouses se conectam no computador. A parte mais barata da máquina é o mouse e, dessa forma, todas usam simultaneamente o PC.
Alguns governos hoje medem seu sucesso com o número de PCs em uma sala de aula, mas não têm o suficiente para que a tecnologia se torne parte integral do currículo escolar.
Caso você invista em um computador para que as crianças interajam com ele o tempo inteiro, o investimento não é maior que os gastos do governo com máquinas de baixo custo - e você ainda integra o PC à rotina das crianças.
Como funciona o MultiPoint? As crianças não vão brigar?
Cada mouse do MultiPoint produz um único cursor na tela. O currículo, então, é criado com base no sistema. Você pode dividir as crianças em grupo para que resolvam problemas juntas. A pesquisa desta iniciativa incluiu saber como seria possível criar aplicações educativas se beneficiando do fato de que há 20 cursores na tela.
Você não falou muito sobre laptops de baixo custo. Isto não é importante para os países em desenvolvimento?
É importante e a Microsoft terá ofertas. O mercado já oferece produtos como o Classmate e o laptop da OLPC - provavelmente forneceremos softwares para eles também.
Adoraríamos ver um ambiente onde cada criança tem seu próprio laptop, e este é o resultado a longo prazo pelo qual todos querem batalhar. Mas somos realistas em dizer que mesmo um dispositivo custando 200 dólares, não acho que será um grande estímulo para que os governos mundiais comprem um laptop para cada criança.
A razão pela qual eu destaco projetos como o MultiPoint é que, se você tem 30 crianças, precisará de 6 mil dólares para comprar um laptop de 200 dólares para cada. Com o MultiPoint, você compra apenas um PC por cerca de 300 dólares, e cada mouse custa 3 dólares - então você gasta 400 dólares ao invés de 6 mil.
Com isso, será possível incluir um computador em todas as salas de aula, embora as crianças não possam ter seu próprio laptop e levá-lo para casa - mas precisamos começar de algum jeito.
Fonte: UOL
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