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Acordo de neutralidade pode gerar "nova" internet
A proposta feita ontem pelo Google e pela operadora Verizon pela neutralidade da internet recebeu críticas da mídia especializada em tecnologia nos Estados Unidos, e também repercutiu na FCC, a agência reguladora de comunicações dos EUA. O tom geral, ao menos entre os sites, é de que a proposta pode vir a gerar "duas internets" e é "ruim".
A proposta, com sete tópicos, passa por transparência, liberdade de navegação e acesso a serviços e diz que a definição da neutralidade da rede vale apenas para a internet cabeada, não para serviços via celular.
"Alguns entusiastas da neutralidade da rede dizem que, ao excluir o celular e outros serviços online, o Google e a Verizon criaram uma ambiguidade que pode permitir às operadoras burlar a regulação feita para garantir liberdade", diz o New York Times, que já havia dito, na última semana, que a Verizon e o Google trabalhavam em uma "rede paralela". "A verdade é que a proposta é menos dramática, mas potencialmente mais preocupante para consumidores e internautas nos EUA", comenta o jornal inglês Guardian.
A Wired comenta que "a proposta não inclui a prioridade paga do tráfego de uma companhia sobre outra ¿ uma vitória para os proponentes da neutralidade da rede. O quinto lugar da lista do Google e Verizon pretende garantir que a infra-estrutura de banda larga se torne uma plataforma para inovação, "para que fornecedores de banda larga trabalhem com outras empresas para desenvolver novos serviços", como monitoramento de saúde, serviços educacionais e até mesmo entretenimento e games.
"Para evitar criar um acesso ligado à internet e ter que lidar com o controle governamental, o Google e a Verizon propuseram criar uma segunda internet, com acesso pago, e as redes móveis estão fora dela, logo o conceito de neutralidade da rede não funciona aqui", comenta a Wired.
Peter Kafka, do blog All Things D, do Wall Street Journal, diz que o segundo e terceiro pontos são "onde as coisas ficam pegajosas. O anúncio é intencionalmente vago sobre os novos serviços e quem irá criá-los e quem estará neles". O jornalista participou da conferência por telefone e afirma que imediatamente os repórteres começaram a citar os "novos serviços" como "internet privada" e "aposto que esse nome vai pegar".
Reações mais exacerbadas surgiram no Huffington Post. "Não há razão no mundo para o Google, que fez investimentos inteligentes no futuro, encontrar algo em comum com a Verizon sobre a internet aberta. Nada, zero. O anúncio foi desnecessário e incompatível com o mantra 'não faça o mal' do Google", escreve o blogueiro Adam Green. "A proposta é de uma ambiguidade massiva que cria um cenário para a tomada corporativa da internet", resume Craig Aaron. "Google e Verizon estão propondo uma neutralidade da rede falsa".
A FCC informou, em um comunicado oficial publicado na noite de ontem, que "alguns dirão que este anúncio leva a discussão adiante. Esse é um dos seus muitos problemas. É hora de seguir para uma decisão, que confirme a autoridade da FCC sobre as telecomunicações em banda larga, para garantir uma internet aberta agora e para sempre, e colocar o interesse dos consumidores à frente do interesse de grandes corporações".
Fonte: TERRA
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