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Será que o Internet Explorer 9 vai, enfim, matar o IE6?
O mais novo navegador da Microsoft precisa retomar o mercado perdido para o Chrome e o Firefox, mas erradicar o IE6 talvez seja seu maior desafio.
A mais recente cartada da Microsoft no jogo dos browsers – a liberação da versão beta do Internet Explorer 9, anunciada na quarta-feira (15/9) – visa principalmente retomar o mercado perdido para novos concorrentes, como o Mozilla Firefox e o Google Chrome.
Mas a Microsoft também luta contra sua própria tecnologia – a saber, o Internet Explorer 6. O IE6 foi declarado morto muitas vezes, mas ainda é o navegador preferido de muitos usuários e empresas, apesar das evidentes falhas de segurança do programa, que já tem nove anos. A própria Microsoft tem feito apelos para que os usuários abandonem o IE6.
A campanha de morte ao IE6 tem feito progresso, sem dúvida. Seu uso na América do Norte caiu de 9,33% para apenas 4,17% no ano passado, enquanto quase 50% dos internautas usam ou o IE7, ou o IE8, de acordo com a StatCounter.
Mas se livrar desses 4% será difícil porque muitas empresas têm aplicações de missão crítica que funcionam exclusivamente no IE6, afirmam analistas. Um deles, Ray Valdes, da Gartner, cita uma empresa de serviços financeiros que tem uma aplicação feita sob medida, utilizada em transações que somam milhões de dólares, e que só funciona no IE6.
“Eles se assustam só de pensar em mexer nela, porque funciona bem e são milhões de dólares em transações”, disse Valdes em uma entrevista, na terça-feira (14/9).
É apenas uma aplicação interna, mas sua presença significa que “empregados são forçados a usar o IE6 em toda sua atividade na web”, diz.
Outras empresas têm usado versões antigas de aplicações que foram projetadas para IE6 e que não foram atualizadas para versões compatíveis com os novos browsers porque, talvez, não queiram pagar uma taxa extra ao fornecedor.
Segurança atrapalhou
A existência de mais segurança nas versões 7 e 8 do Internet Explorer “quebrou a compatibilidade com algumas aplicações”, conta o analista Al Gillen, da IDC. Mesmo levando em conta que o IE7 está no mercado há quatro anos, o suporte para o IE6 ainda “surge como exigência regular dos clientes, acredite ou não”, diz Gillen.
“Este é um daqueles casos em que você quer dizer ao cliente ‘por que você não usa um browser mais novo e corrige as aplicações para que não tenha problemas de segurança?’ “, completou Gillen.
Os modos de compatibilidade do Internet Explorer 8 oferecem compatibilidade retroativa para aplicações web que não foram projetadas para o navegador mais recente, mas “existem aplicações que só funcionarão no IE6 verdadeiro e não no modo de compatibilidade”, diz Valdes.
Gillen duvida que só o IE9 seja capaz de dar fim ao reinado do IE6.
“Eu não acho que o IE9, por si, elimine a necessidade do IE6”, diz Gillen. “Aplicativos escritos para o IE6 vão continuar existindo e diminuirão com o tempo. Nenhum lançamento de produto, como o IE9, causará uma mudança repentina nas estatísticas de uso. Francamente, sob este aspecto eu acho que a migração para o Windows 7 tem mais força que o lançamento do IE9.”
Valdes concorda que o IE9, por si, não resolverá necessariamente “os motivos vergonhosos que têm mantido as empresas no IE6”. Mas há razões para pensar que o IE9 ajudará a Microsoft a tornar o abandono do IE6 por essas empresas mais atraentes, diz.
A política de algumas organizações de TI estabelece que eles deem suporte à versão atual do produto e às duas versões anteriores. Com o lançamento do IE9, o IE6 estará atrasado três versões.
“O IE9 ajudará porque agora torna o IE6 ainda mais velho do que já é”, diz Valdes.
O uso crescente de Windows, que vem pré-instalado com o Internet Explorer 8, também deverá ajudar.
Resto do mundo
Mas mesmo se o IE6 conseguir ser dispensado pela América do Norte, o uso do velho browser permanecerá alto no resto do mundo. Ao redor do globo, o IE6 ainda responde por 8,02% da navegação na web – há um ano, esse número era de 17,83%, segundo a StatCounter.
Isso ocorre em grande parte porque o IE6 permanece bastante utilizado fora da Europa e da América do Norte. Na África, o IE6 responde por 18,7% da navegação na web. Isso é explicado em parte porque as pessoas usam cópias pirateadas do Windows XP, que são difíceis de atualizar. Mas mesmo na África, o uso do IE6 caiu pela metade na comparação com o ano passado, imitando o padrão observado na América do Norte.
Uma nota final em relação aos números. Várias organizações rastreiam as estatísticas de uso da web, com resultados diferentes. Por exemplo, uma pesquisa da NetApplications mostra que o uso global do IE6 ainda está em 16,99%, o que representa queda diante dos 23,3% de outubro de 2009. Mas os dados da Net Applications indicam que o uso do IE6 nos Estados Unidos e na Europa estão em cerca de 5%.
Nos dados da NetApplications, os números globais são inflacionados pela China, onde quase 50% dos usuários ainda estão com o IE6.
Pelo mesmo levantamento, no Brasil esse índice é de 4,14%, inferior aos 5,32% registrados pelos Estados Unidos.
Fonte: IDG NOW
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